Paraná Online

Coluna - Augusto Mafuz

08/02/2012 às 00:00:00 - Atualizado em 07/02/2012 às 21:52:20 Guerra anunciada

A guerra é coisa séria demais para ser entregue aos generais, disse Churchill. O ditado confirma-se todos os dias no futebol paranaense. É que entregaram aos dirigentes a solução para resolver o conflito do mando de jogo do Atlético contra o Coritiba, na Quarta-Feira de Cinzas.

De um lado, o presidente Vilson Ribeiro de Andrade, do Coritiba, condiciona a “torcida única” no Janguito Malucelli à “torcida única” no Couto Pereira. Posição insensível por serem duas situações não opostas pela rivalidade, mas diferentes pela razão social da segurança.

Do outro, o presidente Mário Celso Petraglia, absolutamente cujo silêncio significa omissão, principalmente por ser a referência de comando do Atlético.

Entre os dois, o presidente Hélio Cury, da Federação Paranaense de Futebol, que no caso não é nem insensível como Andrade nem omisso como Petraglia. Mais grave: é incompetente para o comando, não revela confiança para ser conciliador, assume o lado que lhe for oportuno, como assumiu o do Atlético, no caso da requisição do Couto Pereira.

Há muito tempo, o Atletiba deixou de ser uma mera questão esportiva. A sua tradição está sendo subtraída pela violência urbana. Passou a ser mero pretexto para a prática dessa violência. Transformou-se em uma questão de segurança, portanto, uma questão social.

A questão social interessa a todos e, por isso, reclama e exige intervenção do poder estadual. O Coritiba teve o direito de reagir diante da arbitrariedade da FPF na requisição do seu estádio: entre direitos privados - se é que a FPF o tenha -, prevalece o direito de propriedade. Mas entre o interesse público e o privado, prevalece aquele. Direitos de sócios, percentual de torcida, e outros interesses dos clubes, serão irrelevantes.

A segurança pública não é abstração, não deve ser limitada ao discurso político. É necessidade imposta ao poder do Estado pela Constituição Federal. Quando se trata de dar segurança ao povo, esse poder tem que praticar atos majestosos, mesmo que sejam impopulares.

Diante dessa situação, a Secretaria de Segurança do Estado está obrigada a intervir. Exercendo o poder estatal para preservar o interesse público, deve proibir o Atletiba no Janguito Malucelli e requisitar o Couto Pereira. Se não o fizer, assumirá, também, a responsabilidade.

Se houver uma tragédia será daquela anunciada, adaptada da impagável criação de Gabriel Garcia Marques. 

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